UE fala em crise "pior que outras" quando já pagou 35 mil milhões de euros a mais por energia

UE fala em crise "pior que outras" quando já pagou 35 mil milhões de euros a mais por energia

A Comissão Europeia considerou hoje que a atual crise energética é "pior do que outras" anteriores pela dependência de combustíveis fósseis, quando a União Europeia já pagou 35 mil milhões de euros a mais com importações.

Lusa /

"Desde o início do conflito no Médio Oriente, pagámos mais 35 mil milhões de euros pela nossa energia do que o habitual. Não recebemos mais energia - zero -, mas pagámos mais 35 mil milhões e, portanto, isto não é realmente uma crise energética, é uma crise dos combustíveis fósseis, que nos mostra o que acontece quando se depende de combustíveis fósseis", disse o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen.

Falando em conferência de imprensa em Nicósia, no final da reunião informal dos ministros da Energia da União Europeia (UE) organizada pela presidência cipriota do Conselho, o responsável comparou: "Já estivemos em crise antes, nos anos 1970 e em 2022, mas, de muitas formas, esta crise é pior".

"Sim, estamos melhor preparados do que em 2022 - temos mais energias renováveis no nosso sistema, diversificámos os nossos fornecedores e somos mais eficientes do ponto de vista energético -, mas continuamos vulneráveis e, por isso, quando os preços no mercado global sobem, como aconteceu agora, somos fortemente afetados", elencou Dan Jørgensen.

De acordo com o comissário europeu, isto revela "uma única conclusão lógica".

"Precisamos acelerar e reforçar os nossos esforços para fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis, precisamos acelerar e reforçar a nossa eficiência energética e precisamos de trabalhar em conjunto para garantir que tudo o que fazemos agora para apoiar as indústrias em dificuldade ou os cidadãos afetados seja direcionado e temporário, de modo a não prejudicar a nossa estratégia de longo prazo", referiu.

Já questionado sobre eventuais problemas no fornecimento de combustível para a aviação, Dan Jørgensen adiantou: "Não esperamos um problema muito sério de segurança de abastecimento a curto prazo, mas não podemos excluir que possam surgir problemas de segurança de abastecimento a mais longo prazo".

"Tudo isto depende, claro, da situação no Médio Oriente e depende também da forma como os mercados reagem e de como as companhias aéreas reagem", referiu ainda.

Bruxelas divulgou, no final de abril, um conjunto de medidas para fazer face aos elevados preços da energia, incluindo apoio direcionado a consumidores e empresas, possíveis reduções fiscais e ajustes de tarifas e utilização de instrumentos de mercado e reservas estratégicas.

Na altura, a instituição anunciou ainda a criação de um Observatório de Combustíveis para acompanhar as reservas e atuar rapidamente perante uma eventual escassez, dados os impactos do conflito no Médio Oriente.

A UE importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.

Apesar de Bruxelas garantir não haver problemas no abastecimento de petróleo e de gás à UE, já se assiste à volatilidade dos preços, aumento dos custos para famílias e empresas, pressão inflacionista e perturbações na indústria e nos transportes, havendo maior sentido de urgência em diversificar fornecedores e acelerar a transição para fontes de energia mais seguras e renováveis.

 

 

 

Tópicos
PUB